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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Freakonomics: jornalistas não sabem contar?

Quem nunca ouviu dizer que jornalistas não sabem contar? Nesse caso, o motivo do preconceito é de fácil compreensão. Quase todo mundo já encontrou erros crassos em matérias que lidam com números e, especialmente, pesquisas. O cara vê um título, se interessa, e quando lê a matéria descobre que o que estudo diz não é bem aquilo noticiado lá no alto da página.

Em alguns casos, trata-se do Parece limão, tem gosto de tamarindo, mas é de laranja, mas em outros trata-se de um erro de compreensão do repórter e consequente divulgação de informação errada.


Quase sempre isso acontece em matérias cujos títulos são impactantes ou generalistas como esse que está na Jackie´s Edition aqui ao lado: Nomes incomuns podem levar jovens ao crime, diz estudo.
Se você ler a matéria vai até ficar na dúvida, mas se buscar a pesquisa no original vai entender que não é exatamente isso. Faltou ao repórter paciência para ler o estudo e entender as correlações e relações de causa e efeito. Vocês podem entender melhor os erros do repórter no post Wecsley não é necessariamente bandido, do Marcelo Soares. Quem também abordou as matérias sobre essa pesquisa foi Steven Levitt, no blog Freokonomics.

E era aqui que eu queria chegar. Levitt é autor, junto com Stephen Dubner, do livro Freakonomics - um economista trapaceiro explora o lado escondido de todas as coisas, que deveria ser obrigatório tanto para jornalistas quanto para leitores.

Na obra, os autores mostram como não admitir que todo conteúdo jornalístico é verdadeiro pode nos mostrar verdades impensáveis sobre diversos fatos da vida. Em exemplos muito bem explicados, eles ensinam a cruzar dados e principalmente a diferença entre correlação e relação de causa e consequência. A confusão entre os dois seria a principal causa de erros na interpretação de dados e têm consequencias sérias quando essas interpretações se tornam "senso comum", deixando de ser questionados.

Estou lendo a edição em inglês do livro e, ainda no meio, já consigo enxergar muita coisa com outros olhos. Para quem ainda tem preconceito achando que será um livro cheio de números e fórmulas, eu garanto que o texto é tão primoroso quanto um romance em que não conseguimos esperar para ler a próxima página. Para se ter uma idéia, há capítulos como "Como a Klu-Klux-Klan é um grupo com os agentes imobiliários?" e Por que vendedores de drogas ainda moram com suas mães?".

O duro é ler jornal depois disso.

Um comentário:

  1. Leitura necessária não só para aqueles que escrevem as notícias, mas também para aqueles que as leem.

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