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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Igualdade salarial: Saramago comemora decreto de Obama

A notícia era boa e saiu em todos os jornais e sites. Mas ninguém conseguiu imprimir tanta esperança e estilo ao fato quanto José Saramago o fez em seu blog. O escritor português se disse esperançoso frente à comunicação de que o primeiro projeto de lei assinado por Obama, nesta quinta-feira, tem como meta acabar com a desigualdade salarial entre homens e mulheres nos EUA.

Eis a notícia, por Saramago:

"Parece que a coisa vai bem encaminhada. O presidente dos Estados Unidos, que não se chama Messias, mas Barack Obama, assinou ontem uma lei denominada de Equidade ou Igualdade Social. A “responsável” directa deste documento foi uma mulher, uma trabalhadora que, tendo descoberto que havia levado toda a vida a ganhar menos exactamente por ser mulher, apresentou queixa contra a empresa e ganhou o pleito. Como numa prova desportiva de estafetas, esta mulher branca, chamada Lilly Ledbetter, passou o testemunho ao corredor seguinte, um negro com nome muçulmano, 44º. presidente da nação norte-americana. De repente, o mundo parece-me mais limpo, mais prometedor. Por favor, não me roubem esta esperança."




O projeto de Obama (texto na íntegra aqui) extingue a exigência do início do processo em, no máximo, 180 dias após o ato de discrinação da empresa contra as trabalhadoras. O tema da igualdade salarial esteve presente na campanha de Obama e seu ato agora confirma sua vontade de tornar a promessa real.

Segundo matéria da Folha de São Paulo, as mulheres americanas recebem, em média, 23% a menos do que os homens. A diferença se agrava quando se trata de negras, hispânicas e outras minorias raciais.

Segundo a mesma matéria, "Lilly é uma mulher do Alabama que, após 19 anos como empregada da empresa Goodyear, descobriu que era a supervisora com o menor salário entre a sua unidade, apesar de ter mais experiência do que muitos colegas do sexo masculino. Um júri local determinou que ela havia sido vítima de discriminação, mas --durante a gestão de George W. Bush-- a Suprema Corte decidiu por 5 votos contra 4 que processos de discriminação precisam ser registrados dentro de 180 dias após o ato ter sido cometido."

Os argumentos da oposição contra o projeto são de que ele desencadeará uma série de processos antigos, agravando a crise econômica americana e até levar as empresas a evitarem a contratação de mulheres.

Assista

Nesse vídeo publicado no site da Casa Branca, pode-se assistir à cerimônia de assinatura do projeto, com a presença de Lily, da primeira-dama Michelle, da presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi e da secretária de Estado Hillary Clinton.

A transcrição das falas de Obama, Michele e Lilly também estão disponíveis. Em um trecho, Lily admite que jamais receberá o que a Goodyear se engou a dar a ela, mas afirma que a assinatura do projeto foi uma recompensa muito maior. "Eu sei que minha filha e minhas netas, e suas netas terão melhores condições. É isso que faz a valer a pena lutar essa batalha. Foi isso que tornou essa luta necessária de ser vencida. E agora com essa vitória nós iremos fazer uma grande diferença no mundo", concluiu.

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