
Mas o lado controverso de Zuma não é seu populismo. O candidato a presidente foi denunciado por uma série de crimes de corrupção há quatro anos e afastado na época de seu cargo de vice-presidente. Mas no último dia 6 de abril as acusações acabaram sendo retiradas por suspeita de envolvimento político - interessses do atual presidente e arqui-rival de Zuma Thabo Mbeki - nas investigações.
Zuma é acusado ainda de ter estuprado uma mulher com Aids. Em resposta a esse caso, deu uma das declarações mais polêmicas dos últimos tempos: disse que não temia ter sido contaminado, pois havia tomado uma chuveirada forte após o estupro. O líder político ainda anunciou no ínicio do ano sua intenção de obter sua terceira esposa simultânea - ele já é casado com outras duas mulheres, uma desde desde 1973 e outra desde o no ano passado. tudo isso contribiu para sua fama de machista. Ele se defende dizendo que as regras ocidentais de monogamia não se aplicam na cultura tradicional africana.
Os jornais
Bem, mas com a retirada das acusações de corrupção e o caso do estupro sem fim - há problemas para se julgar o caso, devido à carga cultural do ato no país - quem ficou em maus lençóis foi o jornal inglês The Guardian, que se viu obrigado a uma retratação com o político por uma matéria em que sugeria sua culpa pelos crimes citados. O texto na íntegra:
"We apologise to Jacob Zuma, the president of the African National Congress, for suggesting (in a piece headlined Get used to a corrupt and chaotic South Africa. But don't write it off, 6 March, page 31) that he was guilty of rape. This was included due to an editing error. In fact, Mr Zuma was acquitted of a rape charge in 2006. We also alleged that he was guilty of corruption and bribery. We would like to clarify that since the article was published all criminal charges against Mr Zuma have been dropped by the South African National Prosecuting Authority on the basis that the timing of the decision to prosecute him in the first place was politically motivated. We apologise for any distress or embarrassment caused."
Por aqui, Zuma e as eleições vinham sendo ignoradas até o último comício eleitoral, no último sábado, quando ele levou a população sul-africana ao delírio com a presença de Nelson Mandela. Com as ótimas imagens do Estádio Ellis Park, lotado as tvs preparam matérias sobre as eleições locais - aliás, avisam as matérias, este estádio será uma das sedes da próxima Copa Mundial de Futebol.
Em relação ao material da Globo e Globonews, houve pouco destaque e principalmente contextualização em em relação à postura do presidente quanto à Aids. É preciso lembrar o país tem hoje cerca de 5,7 milhões de pessoas vivendo com Aids, aproximadamente 3,2 milhões deles são mulheres e 280 mil crianças entre 0 e 14 anos. No entanto, o país vinha reduzindo seus índices de contaminação, mesmo que lentamente e nos útlimos anos havia aumentado o valor destinado ao programa nacional de prevenção de US$ 479 milhões em 2004/5 para US$ 878 milhões em 2009/10, com expectativa de alcançar US$1 bilhão em 2011/12. Como será com Zuma?
Para quem pretende se aprofundar um pouquinho mais no assunto e na cultuira local, indico o ótimo blog Pé na África, do jornalista Zanini, da Folha online. Em especial, dois posts: O Show de Zuma, do dia 18 deste mês, e Três mulheres para o presidente, do dia 7 de janeiro deste ano.
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