No filme, o ex-secretário de Defesa americano fala sobre sua carreira, iniciada na escola de negócios de Harvard, sua posição como o primeiro presidente da Ford a não ser membro da família, sua influência na II Guerra Mundial e seu longo período na Casa Branca (1961-1968) antes de ir para o Banco Mundial trabalhar com questões de pobreza e desenvolvimento.
McNamara assume ter estado errado sobre o Vietnã, guerra que nos EUA ficou conhecida como sua, mas por outro lado ressalta seu papel na crise dos mísseis de 1962 para evitar que a Guerra Fria se tornasse um conflito nuclear. Sobre este episódio, aliás, assisti há pouco o ótimo filme 13 dias que abalaram o mundo.
O subtítulo de "Sob a Névoa da Guerra", é 11 lições da vida de Robert S. McNamara e os pontos foram criados pelo diretor do filme, Errol Morris, após a entrevista com o ex-secretário. As lições segundo Morris são:
1. Cause empatia ao inimigo;
2. A racionalidade não nos salvará;
3. Existe algo além de si próprio;
4. Maximizar eficiência;
5. A proporcionalidade deve ser uma diretriz na guerra (regras de guerra = não
sabemos o que é);
6. Obtenha dados;
7. A crença e a visão costumam estar errados;
8. Esteja preparado para rever seu raciocínio;
9. Para fazer o bem talvez seja preciso fazer o mal (mas minimize-o);
10. Nunca diga nunca;
11. Não se pode mudar a natureza humana;
Para mim, o que fica do filme é uma lição apenas: corremos perigo. É isso que concluo ao ouvir o então senhor McNamara - aquele à quem atribuem os horrores da guerra do Vietnã e que confessa ter participado de atos horríveis durante a II Guerra Mundial, após anos e anos de reflexão, iniciada com seu livro de memórias, ao profissional cuja carreira se calcou em sua capacidade intelectual e analítica, ao homem tachado de senhor sabe tudo - muitas, muitas vezes repetir perguntas sem respostas sobre o certo e o errado nas Relações Internacionais. McNamara se pergunta quais são as regras da guerra. Mas não há resposta.
O ex-secretário expõe no documentário suas justificativas sob uma perspectiva histórica, mas em nenhum momento admite ter as respostas. É verdade que ele foi um típico cold warrior, mas ainda hoje, saindo de sua lógica, não é possível pensar em respostas aos seus questionamentos.
Já Leslie Gelb, president do Council on Foreign Relations e que trabalhou sob o comando de McNamara, em seu texto para a Times revela outra possível lição do ex-chefe: "A guerra é deles", diz em referência à Guerra do Afeganistão, guerras nacionalistas, tribais e religiosas. "Podemos ajudar, mas ela deve ser deles". Me pergunto para que lado - do certo ou errado - esse "ensinamento" nos levará.
A vida
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