As notícias sobre o Sudão levantam uma questão difícil. Elas são cada vez mais chocantes. Dificilmente matérias sobre outros locais têm trazido relatos de crueldade tamanha como as vindas daquele país da África. E, mesmo assim, mesmo se noticiando o horror, a sensação é de que ele continua esquecido. Sintoma desse esquecimento é que nenhuma destas notícias são capa ou abertura de nenhum veículo.
Nesse fim de semana a Época traz em uma matéria de Eliane Brum um dos personagens mais emocionates que já vi, brilhantemente descrito pela repórter com o título da matéria. Em "Um homem habitado por mortos" Eliane mostra a história de Daoud Hari, um sobrevivente do genocídio em Darfur que se dedica a andar pelo mundo contando o que viu para chamar a atenção para o Sudão e os que ainda por lá resistem. “Há uma parte morta na minha vida. Mas tenho de continuar denunciando que tudo continua piorando em Darfur. Isso é mais importante que meus sentimentos", diz Hari.
O ex-pastor de ovelhas narra situações de extrema crueldade vividas por seu povo e destaca o sofrimento das mulheres. Cada vez mais isoladas, elas têm que andar quilômetros para buscar água e lenha. Nesse trajeto são estupradas. Elas sabem do perigo de fazer esse caminho, mas não têm opção, pois os homens seriam mortos. Marcham para buscar alimento sabendo de seu destino.
As mulheres do Sudão também são tema de matéria na TV Al Jazeera English. "Social stigma surrounds Aids in Sudan" mostra o preconceito que pessoas soropositivas enfrentam no país. Mulheres são renegadas por suas famílias e crianças impedidas de frequentarem a escola ou até mesmo brincar com outras crianças devido à ignorância da população, que acredita poder se contaminar através de qualquer contato com os soropositivos.
São notícias fortes e tristes que precisam ser transmitidas. Assistam e leiam.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
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