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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Jornalistas que não fazem jornalismo

Ser repórter é dureza. Não bastassem as exigências mil para ser considerado um profissional bem preparado, a disputa pela poucas vagas das redações e os salários nada razoáveis -a questão da remuneração, aliás, vai ser tratada em outro post - ainda é preciso batalhar muito pelo direito de fazer jornalismo.

É que estar empregado em um veículo de comunicação não significa necessariamente fazer jornalismo. Muitos veículos hoje produzem material que eu não classificaria de conteúdo. Marcelo Soares publicou post bem explicativo sobre o assunto lá no
Dicas de um Fuçador, mostrando, especificamente nos veículos online, que muito do que é publicado como notícia, na verdade trata-se de produto intermediário como release, pauta, fragmento de notícia etc. É o que ele chama de churnalismo.

O churnalismo cansa o leitor verdadeiro, aquele que procura informação. Para quem, como eu, sonha fazer jornalismo, é massacrante. Leio diariamento muito pela internet e é triste ver quanto tempo e dinheiro é desperdiçado e, principalmente, quanta inutilidade é chamada de jornalismo. O que acontece é que eu perco a paciência rápido quando percebo que um veículo dito informativo não me oferece o que procuro. Simplesmente não o leio mais. Mas muita gente lê, né?

Por isso, a questão é complicada para nós, jovens repórteres. Muitas vezes somos obrigados a escrever e publicar coisas que nós mesmos não leríamos. É que quando a questão financeira entra em jogo e você encontra milhões de profissionais dispostos (e alguns loucos por isso) a fazer churnalismo, é difícil dizer não. No início da carreira você fica em dúvida se é melhor publicar qualquer coisa a não publicar nada.

Passei mais de um ano sem tesão de escrever por conta disso tudo. Não queria mais ver meu nome em um material pelo qual eu, como leitora, não me interessaria. Mas, para estar em uma posição de poder aceitar fazer apenas jornalismo, é preciso se um profissional indispensável ao seu empregador. E para isso, ralar muito. E eu decidi parar tudo por um tempo, ralar e me tornar a ótima repórter que sempre quis ser.

Espero que muitos outros me sigam nesse movimento.

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